15 de janeiro de 2013

Tanta gente se vitimando
Nós nos colocamos no chão.
Nós cuspimos na gente
E pisamos na gente
Em nós
Em nossos feitos.

É realmente preciso tanto drama?
É realmente preciso?
É?
É preciso precisar
De amendoim no bar
Acompanhando aquela tua cerveja fétida?






Bá.


Estamos atrasadas.
Minha mãe roubou um galho de jasmim do canteiro por onde passara.
Estamos atrasadas.
Eu assisto resenhas literárias e procrastino a vida
Ao aroma de jasmim.
E continuamos atrasadas.
Mas eu, pouco me incomodo.
Sem fotos.
Sem odores.
Quero meu jasmim só para mim.

Outro tipo de epitelioma.



Da janela de minha sala acompanhei toda a cena
Três homens trabalhando arduamente
para que todo o entulho fosse retirado.
Num lapso, todos sumiram.
Restou somente um.
A trabalhar, a trabalhar.

Imaginei a raiva que pudesse descontar
Em cada graveto, em cada tijolo largado que o vi quebrar
Era apenas manhã para mim.
Era apenas o sufrágio do final de tarde para eles.

Mas que vontade de descer as escadas e o fotografar!
Tanta vida, tanta, tanta raiva enlaçada nas luvas sujas de terra
No cabo quebrado de enxada.
Mas não fui. Não me atrevi.
Não costumo me atrever a fotografar
Quem não conheço pedindo permissão.
Ironia, não? Logo eu, que mais anseio por ir ao cemitério
Fotografar o habitat dos mortos que,
Ainda assim, são desconhecidos meus.






Bá.

14 de janeiro de 2013

do pó voltarás o que não foras pó de antemão





 Afogo-me numa densa poça de ócio
 minhas palavras são tão tortas quão tortuosas
 são minhas esperas desesperadas por algum
 alguém que eu não conheci mas já amei e agora odeio
 por não ter me amado de volta e
 não ter sucumbido junto a mim na densa poça de tédio
 e com sua energia resguardada retirado do fundo da poça
 um pedregulho cuja beleza a nada poderia se comparar

mais um dia fútil de belezas vãs.
mais um dia de cálidas emoções vazias
que se desesperam só pra chamar atenção
do pó que se fez giz de cera e coloriu as pálpebras
do que faz-me rir chorar de rir de tão triste
que é o vazio da calidez
que é o quê.









bá.

4 de janeiro de 2013

Como não emagrecer: cookies de chocolate com ameixa.

Se eu desse o link pra receita original seria o mesmo que a autora da saga crepúsculo dizer que sua inspiração surgiu enquanto assistia The Birds, do Alfred Hitchcock. Pois bem, nem eu sei exatamente o que fiz para a receita dar certo. Mas o importante é que deu certo. Vou falar, aproximadamente, o que eu lembro de ter colocado na receita, mas logo aviso que é mais sensato não me seguir. Apesar de todas as cobaias terem aprovado e, uma ressalva para a cobaia minha-mãe que perguntou se os cookies eram da Bauducco. Eis:
Primeiramente, acendi o forno à 180 graus.
Coloquei duas xícaras de farinha de trigo, uma xícara de açúcar, uma xícara de achocolatado, uma pitadinha de sal, duas colheres de sopa de manteiga e dois ovos. Misturei com auxílio da colher até a massa ficar bem pesadinha, então tive que misturar com as mãos, o que foi um tanto disgusting. Mas enfim. Após isso, aqueci no microondas, numa tigela com um pouco d'água, umas 5 ameixas secas com caroço. [para que elas ficassem mais molinhas, saborosas e fáceis de picar/retirar o caroço] mas creio que ficaria até mais gostoso com uvas passas do tipo seca e pedaços de barra de chocolate [era o que eu tinha em mente, mas fiquei com preguiça de ir até o armazém]. Misturei-as à massa e, numa forma untada [recomendo que usem papel manteiga] e com auxílio de uma colher, dispus algumas bolotinhas no tabuleiro,  E SEMPRE bem espaçadas umas das outras. A receita original indicava uns 15min no forno pré aquecido. Mas 15 min não surtiu efeito. Daí optei pela estratégia de ficar vigiando os cookies a cada 5 min enfiando um garfinho para ver se por fora já estava um tantinho crocrante. Bem, não sei quanto tempo durou ao todo. Mas enfim! Ficaram realmente deliciosos.

ps: essa receita rende bastante, e o número de biscoitos nas fotos abaixo não foi o total como resultado da mesma.










2 de janeiro de 2013

Como não emagrecer: french toast.

 Pode parecer uma receita clichê [e realmente é], mas eu tenho uma pequena dica que deixa a french toast simplesmente uma das coisas mais gostosas de se comer [não mais do que a janis joplin tsc tsc].

Para uma porção de seis, separe dois ovos e obviamente, seis fatias de pão branco do tipo forma.
Num prato fundo, acrescente duas colheres de sopa de leite em pó integral e dissolva em meia xícara de água. Acrescente os dois ovos ao leite dissolvido, e os misture com auxílio de um garfo. [sim, essa é a parte da dica do mal].
Imerja as fatias de pão ao creme o suficiente para que o mesmo absorva bastante creme, retirando o excesso externo logo em seguida.
Frite-os numa frigideira [oh!] com uma colher de sobremesa de margarina. Deixe dourar e pimba!
Para acompanha-las, escolha o que melhor lhe apetecer. Seja alguma geleia, polvilhando açúcar com canela, algum creme doce ou até mesmo algo salgado. No meu caso, eu escolhi polvilhar açúcar com canela. E não teremos fotos para ilustrar porque eu estou com preguiça. [mentira, é porque eu comi tudo].

1 de janeiro de 2013

Poema dos olhos da amada.



Oh, minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus
Oh, minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.


Vinicius de Moraes. 

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