Apesar de estarmos distantes, novamente, sinto-me mais próxima de ti. Como se você estivesse aqui, ao meu lado. Sensação estranha essa a de sentir tua respiração ao abraçar a caixa com os livros que tu me destes. Durmo numa ilusão de sua presença. É tão cruel lembrar do fato de que falta tempo para que possamos acordar todos os dias com a presença física uma da outra. Te sinto. Tão presente como nunca. Em cada nota de Chopin, sinto arder em mim a sua respiração ao pé do ouvido. Te amar é completar-me, não te ter é despedaçar-me cada dia mais.
L.
28 de julho de 2012
6 de julho de 2012
4 de julho de 2012
Uso de coerção pelas comunidades religiosas na democracia.. Mas e o Estado laico?
Estava eu, arrumando alguns papéis e provas de anos anteriores para arrancar páginas cujo verso da folha estivesse livre para ser usado como rascunho, quando encontrei um trabalho de história do 7° ano. Bem, eu estudei em escola católica desde a 2° série, vi muitas coisas desagradáveis por parte das freiras hipócritas e professoras de religião sem cérebro, mas, lembro de quando estávamos estudando sobre monarquia e cruzadas. Daí que esse trabalho era sobre a Igreja Católica no século 'não lembro qual' e nos dias atuais. Na época eu tinha preguiça de fazer resumo sobre o que eu pesquisava. Eu procurava, passava um bom tempo lendo e analisando os textos para ver o que eles tinham a me oferecer, e então copiava alguns trechos e textos, formando assim um grande resumo. Eu sei, me envergonho disso.. Mas, enfim. Ao menos eu lia o que estava colocando no trabalho(?)
Eu gostei muito de um texto que coloquei nele, só não tenho a bibliografia, não faço ideia de onde eu tirei. Mas vou por aqui, mesmo assim.
"O papa e o aborto.
As primeiras palavras do papa Bento XVI no Brasil foram sobre o início da vida humana. Não foram por acaso. Há semanas que o país discute a pesquisa com células-tronco embrionárias e o direito ao aborto, temas de intensa controvérsia para os valores católicos. O recente pronunciamento do ministro da Saúde intensificou o debate no país: o aborto é questão de saúde pública e deve ser enfrentado como uma matéria de direitos humanos. Mas como um Estado laico deve solucionar o dilema moral do aborto?
O Estado brasileiro é laico. Significa que não há uma religião oficial para a República. Afirmar que 73% da população brasileira se declara católica não pressupõe que valores católicos devam estar garantidos pela lei. Há temas de ética privada que não se regem pela vontade da maioria. Escolhas sobre planejamento reprodutivo ou sexualidade são alguns desses casos. Mas não é assim que o papa Bento XVI entende a diversidade moral da população brasileira.
Afirmar a democracia é também reconhecer questões que jamais serão objeto de consenso moral. Talvez o aborto, a diversidade sexual ou a eutanásia sejam algumas dessas questões. Mas uma democracia laica não necessita de consenso para regular o pluralismo moral: basta o Estado levar a sério o direito à liberdade de pensamento e à autonomia da vontade para que as crenças coexistam pacificamente. Na verdade, basta nosso ordenamento jurídico apostar na soberania constitucional frente ao espírito dogmático de algumas religiões.
Recentemente, a cidade do México modificou a lei de aborto. A reação da Igreja Católica foi impiedosa: os parlamentares que votassem a favor da nova lei seriam excomungados. A mesma situação aconteceu na Colúmbia com a Suprema Corte: os juízes que votaram a favor do direito ao aborto foram ameaçados de excomunhão. Mas até onde é legítimo o uso da coerção pelas comunidades religiosas na democracia? A ameaça de excomunhão ultrapassa as fronteiras do argumento razoável: é ameaça de morte simbólica para os membros de determinada comunidade moral.
É possível ser um juiz da Suprema Corte, professar uma fé e respeitar a laicidade. Não há ambiguidade nessa duplicidade de papéis - um deles diz respeito à moral privada de cada juiz, outro diz respeito a toda a sociedade. Um juiz da Suprema Corte representa a razão da capacidade de nossos representantes em respeitar essa regra básica da vida pública: moral privada e ética pública são matérias distintas.
Mas tolerar que juízes sejam ameaçados de excomunhão pelas comunidades religiosas é abandona-los à opressão moral. É preciso resistir a qualquer tentativa de imposição de argumentos pelo uso da coerção. Não importa se é uma força simbólica legítima das comunidades morais. A ameaça de excomunhão interfere na estabilidade democrática, ignora o princípio da laicidade, pressupõe equivocadamente que juízes sejam missionários religiosos infiltrados nas instituições básicas do Estado.
Juízes são representantes democráticos e, portanto, porta-vozes da diversidade moral da sociedade brasileira. Como um fato de vida privada, há mulheres e homens católicos, mas, como um dado da vida pública, há juízas e juízes laicos. Novamente, não há ambiguidade nessa afirmação: é simplesmente o reconhecimento de que moral privada não se confunde com ética pública. E aborto é matéria de ética privada.
É assim que um Estado democrático enfrenta o dilema do aborto. O pronunciamento do papa Bento XVI é a opinião da Igreja Católica sobre a moralidade do aborto. Não representa o nosso marco legal. E mais do que isso: não representa um milhão de mulheres brasileiras que todos os anos realizam aborto em condições inseguras. Foi em nome delas que o ministro da saúde propôs enfrentar o dilema do aborto como questão de saúde pública."
Eu gostei muito de um texto que coloquei nele, só não tenho a bibliografia, não faço ideia de onde eu tirei. Mas vou por aqui, mesmo assim.
"O papa e o aborto.
As primeiras palavras do papa Bento XVI no Brasil foram sobre o início da vida humana. Não foram por acaso. Há semanas que o país discute a pesquisa com células-tronco embrionárias e o direito ao aborto, temas de intensa controvérsia para os valores católicos. O recente pronunciamento do ministro da Saúde intensificou o debate no país: o aborto é questão de saúde pública e deve ser enfrentado como uma matéria de direitos humanos. Mas como um Estado laico deve solucionar o dilema moral do aborto?
O Estado brasileiro é laico. Significa que não há uma religião oficial para a República. Afirmar que 73% da população brasileira se declara católica não pressupõe que valores católicos devam estar garantidos pela lei. Há temas de ética privada que não se regem pela vontade da maioria. Escolhas sobre planejamento reprodutivo ou sexualidade são alguns desses casos. Mas não é assim que o papa Bento XVI entende a diversidade moral da população brasileira.
Afirmar a democracia é também reconhecer questões que jamais serão objeto de consenso moral. Talvez o aborto, a diversidade sexual ou a eutanásia sejam algumas dessas questões. Mas uma democracia laica não necessita de consenso para regular o pluralismo moral: basta o Estado levar a sério o direito à liberdade de pensamento e à autonomia da vontade para que as crenças coexistam pacificamente. Na verdade, basta nosso ordenamento jurídico apostar na soberania constitucional frente ao espírito dogmático de algumas religiões.
Recentemente, a cidade do México modificou a lei de aborto. A reação da Igreja Católica foi impiedosa: os parlamentares que votassem a favor da nova lei seriam excomungados. A mesma situação aconteceu na Colúmbia com a Suprema Corte: os juízes que votaram a favor do direito ao aborto foram ameaçados de excomunhão. Mas até onde é legítimo o uso da coerção pelas comunidades religiosas na democracia? A ameaça de excomunhão ultrapassa as fronteiras do argumento razoável: é ameaça de morte simbólica para os membros de determinada comunidade moral.
É possível ser um juiz da Suprema Corte, professar uma fé e respeitar a laicidade. Não há ambiguidade nessa duplicidade de papéis - um deles diz respeito à moral privada de cada juiz, outro diz respeito a toda a sociedade. Um juiz da Suprema Corte representa a razão da capacidade de nossos representantes em respeitar essa regra básica da vida pública: moral privada e ética pública são matérias distintas.
Mas tolerar que juízes sejam ameaçados de excomunhão pelas comunidades religiosas é abandona-los à opressão moral. É preciso resistir a qualquer tentativa de imposição de argumentos pelo uso da coerção. Não importa se é uma força simbólica legítima das comunidades morais. A ameaça de excomunhão interfere na estabilidade democrática, ignora o princípio da laicidade, pressupõe equivocadamente que juízes sejam missionários religiosos infiltrados nas instituições básicas do Estado.
Juízes são representantes democráticos e, portanto, porta-vozes da diversidade moral da sociedade brasileira. Como um fato de vida privada, há mulheres e homens católicos, mas, como um dado da vida pública, há juízas e juízes laicos. Novamente, não há ambiguidade nessa afirmação: é simplesmente o reconhecimento de que moral privada não se confunde com ética pública. E aborto é matéria de ética privada.
É assim que um Estado democrático enfrenta o dilema do aborto. O pronunciamento do papa Bento XVI é a opinião da Igreja Católica sobre a moralidade do aborto. Não representa o nosso marco legal. E mais do que isso: não representa um milhão de mulheres brasileiras que todos os anos realizam aborto em condições inseguras. Foi em nome delas que o ministro da saúde propôs enfrentar o dilema do aborto como questão de saúde pública."
27 de junho de 2012
As mesmas coisas de sempre. Há tempos não olho para o céu enquanto ando na rua. Ontem eu o fiz e quase tropecei no meu próprio pé porque tive a ligeira sensação de que eu estava prestes a atropelar alguém.
Sem fome, sem vontade.
Veja só, que sensação agradável..
Pena ser tão fugaz.
Cheiro de carne assada entrando pela janela.
Enjoo. Vertigem.
Vizinho, pseudo assassino.
Ao sentir cheiro de carne, instantaneamente me invadem trechos de filmes sobre holocausto. Pra mim, é a mesma coisa. A descrição de prisioneiros dos campos de concentração nazista, sobre o fétido odor de carne e ossos queimando..
Queria não ter vizinhos. É perturbador e desconfortável.
Sem fome, sem vontade.
Veja só, que sensação agradável..
Pena ser tão fugaz.
Cheiro de carne assada entrando pela janela.
Enjoo. Vertigem.
Vizinho, pseudo assassino.
Ao sentir cheiro de carne, instantaneamente me invadem trechos de filmes sobre holocausto. Pra mim, é a mesma coisa. A descrição de prisioneiros dos campos de concentração nazista, sobre o fétido odor de carne e ossos queimando..
Queria não ter vizinhos. É perturbador e desconfortável.
30 de maio de 2012
Eu me sinto doente.
Às vezes eu fico triste de supetão. Mas isso é normal. Às vezes eu fico triste de supetão e começo a chorar sem motivos aparentes. Mas isso é porque eu sou emo. Eu odeio ser emo, e então choro por isso.
Ninguém entende porque eu sou emo, nem mesmo eu. Mas o fato é que chorar em público é escrever na própria testa "sou emo, brasil". E eu odeio ser emo.
Ninguém entende porque eu sou emo, nem mesmo eu. Mas o fato é que chorar em público é escrever na própria testa "sou emo, brasil". E eu odeio ser emo.
19 de maio de 2012
Opressão social e o direito de vestir o que preferir.
Estava eu conversando com minha mãe na sala, quando percebi que ela estava assistindo aquele programa deselegante do sbt, o tal Esquadrão da Moda. Há tempo não assistia a esse programa.. E pude perceber que minha opinião sobre ele não mudou nadinha.
Resolvi acompanhar um pouco do programa só por curiosidade e fiquei estupefata com a falta de respeito e liberdade de expressão contra as "convidadas" à mudança de visual. Aquelas mulheres, simplesmente por não se vestirem dentro dos padrões sociais para uma mulher 'elegante e de respeito', passam por um processo constrangedor perante os apresentadores e familiares (que sempre encontram-se infelizes em relação as escolha da tal mulher de como ela deve SE vestir), muitas vezes choram, assistem vídeos de cenas em seu cotidiano enquanto os simpáticos apresentadores comentam (diminuindo, é claro) suas roupas... Para só então ser questionada se quer ou não participar do programa. Aceitando ou não, (deve ser difícil não aceitar, pois muitas podem entender que isso seria abraçar o fato de elas serem "bregas e vulgares") apenas pelo fato de terem passado por esse processo, acho que já seja humilhante o bastante para que meu senso de liberdade de expressão me faça ser contra esse tipo de programa que impõe um modo de se vestir padrão, humilhando quem não se enquadra nesse papel.
É tão machista achar que as mulheres que se vestem com roupas mais decotadas são promiscuas e desrespeitosas.. Onde foi parar o espirito libertário feminista, a favor da liberdade de expressão das mulheres, mostrando os seios, usando saias curtas, a procura da igualdade entre os sexos? Porque quando vemos um homem sem camisa não ficamos tão espantados quanto quando vemos uma mulher com um decote avantajado (que ainda assim está vestida)?
É direito de todos nós podermos vestir e fazer com o nosso físico o que quisermos, pois afinal, ele é apenas nosso. É tão descabido ver pessoas se submetendo à caprichos alheios, sofrendo porque devem vestir coisas que não gostariam de vestir, apenas pelo fato de que alguns se sentem desagradados com isso. Eles se sentem desagradados com isso. Dane-se eles. Sentir-se desagradado com algo não da direito a ninguém de oprimir outrem até que este seda aos caprichos alheios.
Assinar:
Postagens (Atom)

