4 de novembro de 2013

Todos os dias eu ouço a porra do passarinho cantando de manhã. O mesmo passarinho. No mesmo lugar. Os mesmos ninhos. Ele não cansa? A rotina não o sufoca? Eu não consigo sequer manter uma linha de raciocínio por muito tempo sem modificá-la que já morro em angústia. Seria mais fácil se eu apenas repetisse a mesma porra de rotina, todos os dias, feliz. - Mas eu sou doente, doutora. Eu preciso do teu remédio, da tua receita. Eu preciso comprar a minha cura e parcelar no cartão. Eu acho que preciso. Eu já nem sei mais se tô afim de cura. Talvez eu só esteja cansada da rotina da busca, novamente. Maldito cérebro. Eu não sei de absolutamente mais nada. Calm down, eu juro que não estou confusa.  Afinal esclareci-me a respeito do suicídio como afirmação da vida. Ideias borbulhando, tentando-me. Minha mente é como um rato hiperativo aprisionado em uma gaiola.

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