23 de janeiro de 2013

Uma aranha na quina de teto, possibilidades de uma possível quinta feira caso eu não acorde morta. Vejamos.

O problema todo é espaço. É vida. Ah! Como eu já sinto saudade da noite que perdi por lá, do luar a iluminar tímido a estrada de chão, enquanto eu acompanhava a silhueta de minha bicicleta, me aumentando, me diminuindo. Já sinto saudade de sentir o vento fresco vindo da lagoa, do aroma de maresia, do vapor nos vidros da janela ao amanhecer. Eu sinto saudades de acordar ao orvalho. De acompanhar o mato recém cortado crescer revigorado após a chuva. De correr! Ah, como é bom correr! Ser livre em alma e corpo! Gritar, rir, expressar-se livremente. Eu sinto saudade daquela liberdade. [e, por hora, principalmente das fotos emperradas no primeiro cartão de memória]. Amanhã tem psicanálise. Eu que estava tão ansiosa por essa quinta feira feiosa no centro de uma cidade horrenda e mal cheirosa, havia planejado o que dizer, as questões que me atormentam a serem discutidas. Mas esqueci de anota-las. E agora, que faço eu? O de sempre. Me sentarei confortavelmente naquela bela poltrona confortável, reclinarei-me e ficarei a olhar o teto. Ah, que rotina bacana! Será que dessa vez encontrarei eu alguma aranha numa quina de teto do consultório? Vejamos.
Por hoje estou viva. Não muito, eu suponho, porém estou. E você?

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