20 de setembro de 2012
Estou a fitar a janela a minha frente. Aberta, deixando entrar o vento fresco e áspero, trazendo mosquitos, permitindo uma breve visão das árvores que se contorcem no breu.
Como sinto-me? Sinto-me bem.. Bem... Dois dias se passaram tão incrivelmente bem se comparados aos anteriores, que ao realizar de que estou criando expectativas para um futuro não muito próximo, não me demoro a tombar do pedestal da alegria novamente. É repentino, é fugaz. A volúpia me devora como um verme devora o cadáver.
Nós sofreremos por sermos brancos, por sermos negros, por sermos altos demais ou baixos demais ou héteros demais ou homossexuais demais ou bobos demais, ou qualquer outra vertente. Nós sofreremos porque o céu está azul demais, azul de menos, está nublado um nublado esbranquiçado e feio, porque os dias não são suaves como nos filmes de infância, porque a infância é onde recebemos o equipamento necessário para a grande corrida pelo quê indeterminável que sequer existe. Eu canso-me disso, canso-me daquilo.. E depois regresso a adorar-nos, novamente.
Que digo eu? Que faço eu? Não sei, não! Eu não sei. Entreguei-me ao ermo e agora perdi-me de mim por completo. Como estou? Eu sinceramente não devo saber. Eu não devo saber e eu nem quero saber. Já me farta o dia amanhecer, já me farta o leite sobre o cereal da manhã, já me farta o que tenho pois quero não ter mais nada! Quiçá seja no vazio que eu me encontre.. Quiçá.
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