28 de julho de 2012

Ei, deus-arte-moderna, você não é de nada
O cara da esquina parece-me tão antipático que meus joelhos doem
Mas meus joelhos doem por tudo
Mas eles não são tão emo quanto Chopin
Mas é tão interessante sentir a briza que entra mesmo quando ela não entra
É que a briza precisa romper obstáculos naturais para adentrar minha janela
Jogue fora todas as suas roupas
Não, doe-as. Muito melhor.
Use apenas o que você usa.
Tenha apenas o que você usa.
Seja apenas o que você é.
Coisas demais
Pessoas demais
Sentimentos de menos
Viver de menos
Quero a simplicidade do suspiro ao entardecer
Quero um quarto branco e sem móveis, sem roupas, sem detalhes
Gaivotas desenhadas pelas paredes. Mas não tantas.
Quero doar tudo o que tenho
Quase tudo.
Quero sentir como é ser simplesmente sendo
Quero ouvir Tchaikovsky todos os dias até que todos os dias se tornem apenas um dia ao léu.
Sentir que o dia é único
Que você é única  eu já sei.
Quero tanto e quero muito não querer nada.

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