A manipulação corrói os relacionamentos. Não há reciprocidade num relacionamento onde uma das partes utiliza de técnicas manipulatórias(?) para conseguir o que quer. Alguém que não sabe a arte de oferecer cumplicidade e amor, mas exige isso de volta, acaba ou sozinha, ou fazendo rotação de amizade. Ora com uma, ora com outra.
Não entendo como o ser humano submete outrem a sofrer por ele, por causa da dor que é apenas dele, e não do outro. Sinto-me mal rodeada de seres que como abutres se aproveitam da fraqueza do outro, para usa-lo como escadaria para o seu próprio ego. Também aqueles que se nominam "fracos" e que querem receber amor, querem ser mimados, e põem para baixo todos os outros que não se encontram tão fracos quanto ele. Essa fraqueza, como Milan Kundera chamava, é uma fraqueza agressiva. "Pois sou fraco, então tu que és forte, submeta-se a cuidar de mim. Mas não reclame, nunca, se meu carinho não lhe for suficiente."
Perco-me nas lembranças do que um dia foram nossos planos, de como ríamos, complacentes um pelo outro. Sinto medo por não saber se essa situação se repetirá até com quem agora me conforta e por mim é confortado. Não quero finais! Finais são ruins, finais são maus. Finais matam pedaços de alegria que em mim habitam. Eles não tornam a brotar. Farejo finais, mas é inevitável nosso encontro.
A morte é um típico final. Mas de qualquer forma, esse final me parece mais aceitável.. Me parece cômodo. Não sofro tanto com a morte quanto com um final em vida. E mesmo a morte é um exemplo de como os finais são. Anunciam sua chegada aos poucos, ou surgem de supetão para tirar-nos sempre o melhor. E até reconstruirmos o que nos foi arrancado, um novo final se anunciará destruindo e nos obrigando a reconstruir o que logo será destruído novamente. Eis o ciclo vicioso dos finais. É como cavar um buraco na beira da praia. Você cava, e quando finalmente vai brincar, uma nova onda atinge trazendo terra e assoreando seu pseudo rio. E então você recomeça a cavar, mas novamente a onda trás a água que desmancha todo o seu trabalho. Eis a minha visão da vida. Para mim, a vida não passa de uma grande hipocrisia. Ficamos contentes com o que temos, mas logo acabará e choraremos novamente.
No final, a dor é mais intensa, o chorar é mais presente. Não, não vejo sentido nisso tudo. É tão vago, tão cansativo. E não é por eu passar por muitas dificuldades. Não, não as tenho. Simplesmente sou meu empecilho mor.
15 de março de 2012
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