Foi um longo processo, até que por fim, Victória resolveu comprar um coelho. Foi pelo rabinho que ela escolheu qual queria. Justamente a única que tinha a ponta do rabo meio preto, e também a ponta das orelhas: era fêmea. Uuuuh. Fêmea, hehehe. Uma bela coincidência, afinal, nós não gostamos de machos, seja lá qual for a espécie, são todos uns filha da puta. Generalizo, eu posso.
Fugindo da racionalidade, nós só fomos pensar na desculpa para a mãe da Victória depois que já havíamos comprado a coelhinha. Decidimos que seria uma possibilidade dizer que nos deparamos com uma caixa que "se movia" e quando fomos verificar, encontramos a pobre abandonada. Diríamos que não fomos capazes de deixá-la ali, largada. Então Victória se lembrou do viveiro desativado que há em sua casa e cogitou ficar com ela até que achassem um dono. Com o passar dos dias, Victória pediria Yoko(o nome que demos à coelhinha) de presente de natal. E, como a coelhinha já estaria há alguns dias morando no viveiro, Victória teria provado de que sim, ela é responsável o suficiente para ter mais um bichinho.
Com o plano elaborado e devidamente ensaiado, ao chegarmos em casa nós alimentamos Yoko e fizemos planos para o futuro ao lado dela. Bem, eu sou uma espécie de madrinha, agora. Pois sim, jovens... Estou ficando velha.

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