25 de novembro de 2012

Há de ser o momento para uma nova fase. Mas é preciso, realmente, que o passado seja rasgado e deixado de lado? Só é permitido guardar o que se aprendeu? Não é possível beber do sulco do presente sendo saudosista? Ora, mas então que seja! Live and let die.
Mas às vezes cansa.. Cansa cuidar e não ser cuidada. A reciprocidade que escapa. Isso cansa. Cuidemos de nós mesmos e assim não necessitaremos de sermos cuidados por outrem!

2º Encontro nacional de Ateus

17 de novembro de 2012

O Dia Deu em Chuvoso.O dia deu em chuvoso. 
A manhã, contudo, esteve bastante azul. 
O dia deu em chuvoso. 
Desde manhã eu estava um pouco triste. 

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma? 
Não sei: já ao acordar estava triste. 
O dia deu em chuvoso. 

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante. 
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante. 
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante. 
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante? 
Dêem-me o céu azul e o sol visível. 
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim. 

Hoje quero só sossego. 
Até amaria o lar, desde que o não tivesse. 
Chego a ter sono de vontade de ter sossego. 
Não exageremos! 
Tenho efetivamente sono, sem explicação. 
O dia deu em chuvoso. 

Carinhos? Afetos? São memórias... 
É preciso ser-se criança para os ter... 
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro! 
O dia deu em chuvoso. 

Boca bonita da filha do caseiro, 
Polpa de fruta de um coração por comer... 
Quando foi isso? Não sei... 
No azul da manhã... 

O dia deu em chuvoso. 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterônimo de Fernando Pessoa.
Live and let die.

13 de novembro de 2012

E nossas vidas são um desencontro. Mas eu te juro, baby, que ainda te amo. […]
Caco, eu tô um caco e tenho esperança. Mas às vezes cansa.
Cazuza

9 de novembro de 2012

Fernando Pessoa. (O Eu profundo e os outros Eus)

[...]
"Para que não ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore... O teu silêncio é um leque -
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram todas as mãos cruzadas sobre todos os peitos...
Murcharam mais flores do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim."
[...]
Sociedade Racionalista
 
 
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